
Alguns já sabiam do que se tratava, outros não; para esses, o "T" da questão.
Durante cerca de dois anos seguidos, tenho procurado o meu "lugar ao sol" em São Paulo, o maior mercado radiofônico da América Latina. E por ostentar esse título, esse mercado se torna cada dia mais exigente; exigente até demais pro meu gosto. Exigente demais para qualquer gosto.
O ano é 2004 e eu tento pela primeira vez o meu lugar em uma emissora de um grande porte, alias de um enorme porte.
Rede
Transamérica Pop, daí o "
T" da questão. Robson Ferri, colega de profissão, estava saindo de lá para fazer parte do então novo projeto da Rádio Mix FM: Rede Mix de Rádio, hoje com 10 emissoras espalhadas pelo Brasil. Na época, a coordenação artística lhe pediu que indicasse alguém para preencher o espaço que ficaria no staff da equipe, na oportunidade o Ferri me ligou.
Fiquei feliz, contente, radiante. Minha primeira chance de poder mostrar o que eu sei fazer de melhor na vida, mas...Como em toda a primeira vez, a ansiedade era algo inevitável, como em toda a primeira vez um erro era inevitável, um erro, dois erros, três erros; o meu teste para fazer parte da equipe foi um verdadeiro fracasso. Cheguei a ouvir da coordenação que, com aquele tipo de locução, jamais entraria em rádio alguma.
"Calma Tadeu, calma", pensei. Afinal de contas eu tinha apenas 19 anos, tinha uma longa caminhada pela frente, era o primeiro "Não", mas uma segunda chance, seguida do esperado "Sim" iria aparecer, e não demorou muito para que isso acontecesse.
Ainda 2004, só que desta vez o ano estava quase em seu final, alias, eram as duas últimas semanas do ano. Márcio Cruz, outro colega de microfone me liga dizendo que o locutor Yves Rezende ia entrar de férias e a rádio precisaria de alguém que trabalhasse nos três finais de semana do mês de Janeiro do ano seguinte. Qual era a rádio?
Rede Transamérica Hits, para quem não sabe, a Rede Transamérica se dividiu em três segmentos e redes diferentes, são elas:
Rede Transamérica Pop, voltada para o público jovem, com Rock, Pop, Dance e Black.
Rede Transamérica Hits, com sua programação mais popular, Pagode, Axé, e os hits do momento.
E, finalmente, Rede Transamérica Light, programação adulta, o flashback é o cartão de visita da Rede.
Mas continuando, a proposta e a chance eram essas. Tudo bem, era só por três finais de semana, mas essa já seria a minha primeira experiência em uma grande rede. Só havia um pequeno detalhe: Eu não era registrado oficialmente como locutor de rádio pela Delegacia Regional do Trabalho, ou seja, eu não tinha o DRT na minha carteira de trabalho. Mas isso não seria um grande problema, afinal de contas eu nem seria registrado mesmo, três finais de semana!
Pois bem, treinei na rádio durante "A Voz do Brasil", treinei e treinei, cheguei até a entrar no ar durante uma semana, das 18hs as 19hs, um período em que poucas emissoras estavam "engatadas" na cabeça de rede, e propício para que eu perdesse o medo antes de estrear, no dia 8 de Janeiro de 2005, já oficialmente. Mas esse dia não chegaria.
Dia 07 de Janeiro, a produtora da rádio me liga, perguntando desesperada: "Tadeu, você não tem o DRT???". Eu disse pra ela que não tinha e que o coordenador da rádio sabia disso desde o princípio. Mas isso não foi o suficiente, ela me informou que o Diretor Geral da emissora não permitiria a minha entrada no ar sem o tal registro, e assim voltei pela última vez, apenas para entregar o crachá. Mais uma vez, a chance me escapava e eu ouviria o segundo "Não" na minha carreira em São Paulo.
O tempo passou e as esperanças se renovaram. Voltemos um mês, Novembro deste ano.
Ricardo Sam, um grande profissional que carrega quase 20 anos de carreira e que achou em mim algum talento, resolve me indicar, me manda um email "Urgente" pedindo que eu lhe enviasse algum material meu, o que de melhor eu tivesse no momento. Foi isso que fiz, enviei o material e alguns dias depois recebo o telefonema da coordenação da rádio...da rádio...da rádio...Pasmem! Rede Transamérica Pop, me pedindo para ir até São Paulo, na emissora, para conversar e fazer um teste de locução e mais um outro tipo de teste - guardem esse nome - Teste Psicográfico, avaliação que, segundo a coordenação, a empresa exigia.
Fui até São Paulo e conversei com os coordenadores da Rede Pop, fiz o tal teste "psico-não-sei-das-quantas" e por fim o teste de locução, este último, ao contrário da primeira vez, sem erros. A coordenação ficou contente com o meu teste de locução (eu disse teste de locução, ok?), mas não poderia me dar alguma resposta, porque se o teste "psico-vai-pra-ponte-que-partiu" e o seu respectivo Psicólogo não aconselhassem a empresa para minha contratação, tudo ia por água a baixo. O teste consiste basicamente em uma redação feita por mim, através dela o Psicólogo(a) analisaria minha letra e por ela traçaria o meu perfil e personalidade - é...eu sei que isso é incrível! Blah!
O Fato é que voltei para o Litoral com uma grande expectativa. Afinal, não era possível que eu "bombasse" neste teste, eu me conheço, sei quem eu sou, sei da minha personalidade, sei qual é o meu perfil, e o mais importante, sei que posso ser um bom profissional para empresa. Mas...essa expectativa terminaria ontem, dia 05 de Dezembro de 2005.
Como que a coordenação da rádio demorasse para me responder, eu mesmo liguei pra lá. E ouvi o que não queria:
"Então Tadeu, o Psicólogo deu o resultado do seu teste, e infelizmente eu não vou poder te contratar..."
Desliguei o telefone e fui pra casa completamente frustrado, mas não por não ter pela terceira vez conseguido trabalhar na rádio que sonho, não por ter ouvido o meu terceiro "Não" da mesma empresa, por nada disso. Fui pra casa frustrado por ter sido rejeitado por alguém que viu a minha letra e acha que me conhece, alguém que viu a minha letra e acha que consegue traçar o perfil e sonhos de uma vida inteira, a minha maior frustração foi ter sido rejeitado por alguém que nunca viu o meu rosto, nunca olhou nos meus olhos e ainda assim acha que pode detectar se há problemas ou não no meu caráter através da porcaria de uma letra!
Estou frustrado até agora porque a Rede Transamérica de Comunicação não contratou alguém por que não ouviu o conselho de um profissional do meio radiofônico, mas sim de alguém que não tem nada a ver com o meio...
POR MAIS INCRÍVEL QUE ISSO PAREÇA, UM PSICÓLOGO ME TIROU DO RÁDIO.
Cuidado comigo, eu posso matar!
Quem sou eu? Não sei mais...me tiraram essa chance. Perguntem para um psicólogo, se quiserem eu assino o meu nome em uma folha pra ele dizer qual é o meu problema.